Século dezesseis: primeiro contato

 

 

Em 1500, uma população de mais de um milhão de povos de língua guarani ocupava um território que se estendia do sopé dos Andes até a costa brasileira e o Rio de la Plata. As mulheres guaranis cultivavam milho e mandioca, com ambas as culturas facilitando a alta produção de alimentos e níveis populacionais, além de permitir viagens de longa distância, devido à facilidade com que as plantas podiam ser transportadas e replantadas. Essa flexibilidade permitiu que os falantes do guarani circulassem pela Mata Atlântica do sul e pelos sistemas fluviais ao redor, ao mesmo tempo em que mantinha uma estrutura política descentralizada. As mulheres guaranis transportaram prata dos Andes ao delta do Paraná no curso dessas viagens, com suas ações dando o nome à Argentina: Argentum é prata para latim, derivado do Rio de la Plata (o rio da prata). Este título foi concedido pelos primeiros marinheiros espanhóis que observaram os ornamentos e ferramentas de prata que as mulheres guaranis carregavam por mais de dois mil quilômetros ao longo dessas rotas de circulação.

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Com o tratado de Tordesilhas de 1494, os monarcas da Espanha e de Portugal dividiram o globo entre si, com a linha divisória passando pela Mata Atlântica, embora nenhum dos países conseguisse concordar exatamente aonde. Os portugueses reivindicaram a costa brasileira e os espanhóis invadiram o interior do Paraguai, tendo a prata do derrotado império Inca e o açúcar das plantações costeiras de Portugal constituindo os dois primeiros booms de mercadorias da América do Sul. Guaranís e outros povos indígenas, assim como povos africanos foram escravizados para força de trabalho para as primeiras plantações de açúcar, tendo sua força rendido lucros para os comerciantes e banqueiros de Antuérpia e Gênova, como apresentado no mapa abaixo.

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