Século XVIII: corrida do ouro no Brasil

 

 

O conflito com as bandeiras cimentou a aliança entre os missionários jesuítas e uma série de líderes guaranis, com as missões guarani tornando-se a força militar proeminente na bacia do Rio da Prata no início do século XVIII. Vindos de São Paulo, trabalhadores Carijó descendentes de Guaraní viajaram para Minas Gerais e Mato Grosso, desempenhando um papel de linha de frente na descoberta e exploração inicial das minas de ouro do Brasil. Tendo derrotado a Espanha e a Holanda, Portugal agora estabeleceu uma relação de dependência com a Inglaterra para manter sua independência. O subsequente fluxo de ouro do Brasil para a Grã-Bretanha por meio dos acordos comerciais altamente desiguais dos tratados de Methuen (1703) ajudou na monetização da economia e na expansão do trabalho assalariado na Inglaterra. Como tal, a escravidão do trabalho indígena e africano no Brasil foi um dos muitos fatores que contribuíram para o desenvolvimento do capitalismo inglês e da Revolução Industrial no século XVIII. Esse processo fluiu, em parte, da Mata Atlântica para a Europa, com o próximo estágio industrial do capitalismo então se expandindo da Europa, por meio de vetores locais, de volta à Mata Atlântica.

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Nos trechos ocidentais da floresta tropical, alguns líderes Guarani optaram por "dançar" com o estado, negociando com missionários jesuítas para tentar assumir o controle do comércio da erva-mate, enquanto outros rejeitaram totalmente a ordem colonial, mantendo vivas suas cosmologias e expulsando extratores de erva-mate da floresta. Os colonos espanhóis invasores viram-se enredados nos sistemas sociais Guarani e em conflitos que impediram a expansão das fronteiras de mercadorias, as relações de trabalho capitalistas e o desmatamento na região até o final do século XIX, com levantes e  campanhas Guarani pelos direitos à terra continuando até os dias atuais no Paraguai, Argentina , Bolívia, Uruguai e Brasil.